A sinfonia atonalista e aleatória das buzinas, a irregularidade do som dos motores, completa viagem sonora da minha cidade.
Meus naipes orquestrais são buzinas, estalares e freios; de forma muito crua e sincera, não há maestro nem sincronia. Em compasso justaposto-dobrado-composto segue o indiscreto, a sonscória.
Não há nada mais free, mais thrash, mais incompleto, mas, mesmo assim, tudo segue independente das afinações, independente de plateia, independente dos aplausos e reconhecimento, nem mesmo há crítica pra’pontar as falhas e definir gêneros.
Dzuuum! Beeem! Briii! Traatcha! Pooor! Explode sincopada e microtonal lavagens de ruídos theremínicos. A orquestra corre, segue as partituras de trás pra frete e do meio para o final, com direito a tutti orchestra acompanhado pelo grito dos espantalhos das ruas, pelos mendigos barítonos e prostitutas prima donna.
A sinfonia segue erística.